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  • Dra. Sofia Beviláqua

Saiba mais sobre o Câncer de Boca e fique atento!

Atualizado: Nov 3


Hoje vamos falar de um assunto que envolve diretamente seu/sua cirurgiã(o)-dentista: o câncer de boca, um tumor maligno que ocorre na cavidade oral, campo de atuação do dentista. Por isso, o dentista está sempre atento a alterações na boca, atuando na prevenção, diagnóstico, suporte ao tratamento e reabilitação de pacientes com sequelas bucais.


Claramente, não é nada confortável receber um diagnóstico de câncer, por isso, muitas pessoas fecham os olhos para esta questão. No entanto, é preciso estar atento a este tema, visto que, quanto mais cedo diagnosticado, melhor o prognóstico e menores as sequelas deixadas pelo tratamento.


Existem alguns tipos de câncer de boca, sendo que o Carcinoma Epidermoide, chamado antigamente de Carcinoma de Células Escamosas ou Carcinoma Espinocelular, é o tumor maligno responsável por aproximadamente 90% dos casos de câncer nesta região, podendo ocorrer nos lábios e estruturas da boca, como assoalho bucal (região embaixo da língua), língua (principalmente as bordas), gengivas, bochechas, palato duro (céu da boca) e glândulas salivares maiores e menores.

A parte posterior da língua, as amígdalas e o palato mole fazem parte da região chamada orofaringe e seus tumores têm comportamento diferente do câncer de cavidade oral.

É mais comum em homens acima dos 45 anos, sendo o quarto tumor mais frequente no sexo masculino na região Sudeste. A maioria dos casos é diagnosticada em estágios mais avançados.


Estatísticas:


Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a estimativa dos cânceres de lábio e cavidade oral para o Brasil são de 11.200 mil em homens e 3.500 em mulheres para o biênio 2018/2019.


O que aumenta o risco?


A exposição à alguns fatores aumentam o risco de desenvolvimento dos cânceres de lábio e cavidade oral. São eles:


· Tabagismo: O fumo é o principal causador do câncer de cavidade oral. Indivíduos que fazem uso de cigarros ou outros produtos derivados do tabaco, como cigarro de palha, de Bali, Sachê de Bettel; cigarro de cravo, fumo de rolo, tabaco de mascar, charutos, cachimbos, narguilé, entre outros, têm risco muito maior de desenvolver câncer de boca e de faringe do que não fumantes.

Quanto maior o número de cigarros fumados, maior o risco de câncer.


· Consumo regular de bebidas alcoólicas.


· O uso em conjunto de cigarros e bebidas alcóolicas: A associação desses dois fatores aumenta ainda mais o risco, podendo chegar a 100 vezes mais.


· Exposição ao sol sem proteção representa risco importante para o câncer de lábios.


· Infecção pelo vírus HPV está relacionado a alguns casos de câncer de orofaringe.


Como prevenir?


· Não fumar (quanto maior o número de cigarros, maior o risco de câncer);


· Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;


· Evitar exposição prolongada dos lábios ao Sol ou, quando possível, utilizar protetor labial;


· Ter alimentação rica em frutas verduras e legumes;


· Manter boa higiene bucal;


· Fazer uso de preservativo na prática de sexo oral.


Diagnóstico:


O diagnóstico do câncer de cavidade oral é através do exame clínico visual pelo Cirurgião-Dentista, mas a confirmação da doença depende da biópsia, que pode ser realizada no consultório odontológico, onde é feita uma pequena cirurgia, com o uso de anestesia local, para retirada de um fragmento da mucosa oral que então é enviado ao laboratório de Patologia para verificar se há alterações histológicas, ou seja, se há alterações nas células e estruturas microscópicas que compõe os tecidos da cavidade oral. O cirurgião-dentista também poderá lançar mão de exames de imagem, quando indicados, como a tomografia computadorizada que auxilia no diagnóstico e planejamento cirúrgico.

Se confirmadas as alterações teciduais, o paciente é encaminhado ao médico especializado que dará início ao tratamento oncológico.


Diagnóstico precoce:


O diagnóstico precoce de qualquer tipo de câncer melhora significativamente o prognóstico dos pacientes acometidos por esta doença. Para o câncer bucal não é diferente, permitindo um tratamento com melhores resultados e menos chances de sequelas, por isso, é preciso estar atento ao surgimento de quaisquer sinais ou sintomas, devendo agendar uma consulta com um cirurgião-dentista para a realização do exame da cavidade oral que irá indicar ou não a realização da biópsia e orientar o paciente quanto às possíveis alterações encontradas.

Pessoas que apresentam maior risco para desenvolver câncer de boca (fumantes e consumidores de bebidas alcoólicas) necessitam de cuidado redobrado, devendo realizar visitas periódicas ao dentista para acompanhamento.


Sinais e Sintomas:


Os principais sinais que devem ser observados são:


· Feridas na cavidade oral ou nos lábios que não cicatrizam por mais de 15 dias;

· Manchas vermelhas ou esbranquiçadas na cavidade oral;

· Nódulos (caroço ou “íngua”) no pescoço;

· Rouquidão persistente.


Em casos mais avançados percebe-se:


· Dificuldade de mastigação e de engolir;

· Complicação na fala;

· Dificuldade de movimentação da língua;

· Mau-hálito


Auto-exame:


Uma vez por mês, realize o auto-exame, através na observação da sua boca.

Fique atento a esses sinais e a mudanças na coloração ou aspecto da cavidade oral.

Caso observe alguma alteração ou tenha alguma dúvida, agende uma consulta com seu cirurgião-dentista.




Tratamento:

A equipe médica irá avaliar o estágio da doença e determinará o tratamento mais indicado. Na maioria dos casos, o tratamento é a remoção cirúrgica, podendo ou não estar associado à radioterapia ou quimioterapia, as quais são indicadas quando a cirurgia não é possível ou quando o tratamento cirúrgico ocasionaria sequelas importantes e complicadas para a reabilitação e a qualidade de vida do paciente. O tratamento cirúrgico consiste na retirada da área afetada pelo tumor e na remoção dos linfonodos do pescoço, associando à reconstrução quando necessário. Em lesões mais simples, é necessário somente a retirada da lesão.

Em todas as etapas, do diagnóstico ao tratamento, é importante a participação de vários profissionais de saúde, atuando de forma integrada, visando um bom tratamento e a prevenção de complicações e sequelas, favorecendo o prognóstico e qualidade de vida dos pacientes acometidos com câncer de cavidade oral.


Referências bibliográficas:

· INCA. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Estimativa 2018 -Incidência de câncer no Brasil. Rio de janeiro; 2017.

· Massano J, Regateiro FS, Januário G, Ferreira A. Oral squamous cell carcinoma: review of prognostic and predictive factors; 2016.

· Feller L, Lemmer J. Oral squamous cell carcinoma: epidemiology, clinical presentation and treatment. J Cancer Ther; 2012.

· Blatt S, Ziebart T, Krüger M, Pabst AM. Diagnosing oral squamous cell carcinoma: how much imaging do we really need? A review of the current literature. J Craniomaxillofac Surg; 2016.

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